Enquanto o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escala cada vez mais as tensões globais com tarifas abrangentes sobre todos os países, um ex-presidente americano vem ganhando destaque nas redes sociais.
Em meio ao tarifaço, vídeos e falas do ex-presidente Ronald Reagan, que comandou os EUA de 1981 a 1989, passaram a ser usados como um aviso do passado sobre o futuro —numa espécie de alerta para o que os americanos podem esperar nos próximos meses e anos.
“Mercados encolhem, empresas fecham e milhões perdem seus empregos”, diz Reagan sobre os efeitos das tarifas e guerras comerciais em um vídeo de 1988, agora resgatado por usuários online.
O republicano, que morreu aos 93 anos em 2004, chegou ao governo americano em um momento de estagflação (quando a inflação e desemprego estão em alta e a atividade econômica em baixa). Agora, os mercados temem que o resultado das tarifas de Trump crie um cenário semelhante.
Para mudar os rumos, Reagan adotou uma série de medidas econômicas que ficaram conhecidas como “reaganomics”. As medidas se baseavam na redução de impostos, cortes de gastos (exceto na área de defesa), diminuição do papel do governo e desregulamentação.
A maioria dos efeitos dessas políticas foi positivo: a taxa de desemprego caiu de 7% para 5,4% e a inflação caiu de 10,4% para 4,2% de 1980 a 1988. O relativo sucesso econômico de Reagan, que era um defensor do livre mercado, dá agora uma popularidade renovada aos seus posicionamentos sobre tarifas.
“A princípio, quando alguém impõe tarifas sobre importações, parece que essa é a medida patriótica a se fazer para proteger produtos e empregos americanos. E às vezes, por um curto período, isso funciona. Mas apenas no curto prazo”, diz Reagan em um dos vídeos mais compartilhados por usuários.
No discurso da posse presidencial deste ano, Trump acenou para o ex-líder republicano que inspiraria seu mandato. Ele mencionou o ultraprotecionista William McKinley, que foi presidente de 1897 a 1901.
Tal como Trump, McKinley foi um presidente que defendia empresários bilionários e abraçava medidas protecionistas na economia. “O presidente McKinley tornou nosso país muito rico por meio de tarifas e talento. Ele era um empresário nato”, disse Trump.
As falas de Reagan, um anticomunista que costuma ser bem-visto por republicanos, viraram munição para quem se opõe às políticas do atual presidente. “Quando o Congresso aprovou a tarifa Smoot-Hawley em 1930, nos disseram que ela protegeria a América da concorrência estrangeira e salvaria empregos neste país —a mesma justificativa que ouvimos hoje. O resultado real foi a Grande Depressão”, diz um post que resgata um discurso de Reagan.
As políticas externas da era Reagan também já motivaram brigas de narrativas no Congresso americano este ano. A senadora Elissa Slotking, democrata do estado de Michigan, criticou Trump no mês passado por usar uma frase do ex-presidente
“O presidente Trump adora dizer ‘paz através da força’. Essa é, na verdade, uma frase que ele roubou de Ronald Reagan. Mas deixe-me dizer, depois do espetáculo que acabou de acontecer no Salão Oval na semana passada, Reagan deve estar se revirando no túmulo”, disse Slotkin sobre a ruptura dos EUA com aliados e a aproximação com a Rússia.
“Imagine se [Reagan] pudesse ver seu partido agora virando as costas para nosso aliado e democracia irmã, a Ucrânia”, disse o senador democrata Adam Schiff, da Califórnia.
No X, um usuário publicou: “O que aconteceu com os republicanos de Reagan? Eles, inclusive Trump, adoram citá-lo, mas ele teria sido liberal demais para o partido de hoje”, diz o post, que compartilha um vídeo do ex-presidente falando sobre os impactos negativos de tarifas.
Com informações Washington Post