Os futuros dos índices acionários de Wall Street estão em queda firme depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, detalhou os planos do tarifaço.
Serão aplicadas tarifas de 10% sobre os parceiros comerciais dos Estados Unidos, e dezenas de países com os maiores desequilíbrios comerciais para com os norte-americanos enfrentarão taxas significativamente mais altas.
Os futuros que acompanham o S&P 500 e o Nasdaq 100 caíam 1,5% e 2,3%, respectivamente, às 18h30 (horário de Brasília). A queda era impulsionada por perdas de grandes empresas como Nvidia, Tesla, Microsoft, Apple e as companhias aéreas Delta, Southwest e United.
“Foi pior do que os investidores esperavam”, disse Eric Beiley, diretor executivo de gestão de patrimônio da Steward Partners. “A princípio, os futuros subiram porque Trump disse que seriam ‘recíprocas’, mas a realidade é que isso é pior, com essas tarifas pesadas sobre o Japão e a União Europeia.”
Os japoneses enfrentarão uma taxa de 24%; os europeus, de 20%. China terá tarifas de 34% e o Vietnã, de 46%.
As perdas ocorrem depois que o S&P 500 subiu 0,7% durante a sessão de negociação regular desta quarta-feira, enquanto o Nasdaq 100 subiu quase 0,8%.
Mas, se há uma razão por trás da breve recuperação das ações dos EUA antes do anúncio de Trump, seria a cobertura de posições vendidas.
As ações de empresas de tecnologia não-lucrativas e empresas com alto interesse vendido estavam entre as maiores ganhadoras. Um índice do Goldman Sachs das ações mais vendidas a descoberto, que inclui empresas como Roku e Peloton, superou o S&P 500, subindo 3,7%. Um índice separado que acompanha empresas de tecnologia não lucrativas subiu 1,9%.
“Os operadores estão cobrindo posições vendidas e ficando realmente nervosos”, disse Eric Diton, presidente e diretor-gerente da Wealth Alliance, uma empresa de consultoria de investimentos. “Mas ainda não estamos fora de perigo. Este é o começo das tarifas, não o fim.”
O S&P 500 perdeu mais de US$ 4 trilhões em valor de mercado desde o pico de fevereiro, à medida que a ansiedade relacionada às tarifas empurrou os investidores para a porta de saída. Muitas mesas de negociação de Wall Street —incluindo as do Goldman Sachs e do Bank of America— esperam que as tarifas aprofundem ainda mais a queda no índice de referência de ações dos EUA.
As empresas já estão sentindo os efeitos da guerra comercial de Trump, com os mercados oscilando nas últimas semanas. O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, disse que tarifas pontuais devem ter um impacto transitório nos preços, mas, se os consumidores e as empresas pararem de gastar e investir, “seria um pouco complicado.”
O mercado de derivativos está precificando mais volatilidade à frente, pelo menos no curto prazo. O Índice de Volatilidade Cboe ultrapassou 21, acima do nível 20 que geralmente indica crescente preocupação entre os operadores.
Os investidores do mercado de opções estão apostando que o S&P 500 se moverá cerca de 1,1% em qualquer direção na quinta-feira, de acordo com Stuart Kaiser, chefe de estratégia de negociação de ações dos EUA do Citigroup Inc.
Mas nem todos em Wall Street esperam que a venda no mercado de ações continue. Para Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial, o anúncio das tarifas desta quarta provavelmente fornecerá respostas para algumas das maiores questões que os investidores têm agora.