As vendas da Tesla na Europa caíram pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, enquanto a fabricante de veículos elétricos perdeu o embalo do crescimento do mercado de EVs no continente, após as intervenções de Elon Musk na política regional.
A empresa de Musk vendeu 16 mil veículos na Europa em fevereiro, uma queda de mais de 40% em relação aos 28.182 vendidos no mesmo mês de 2024, segundo a Acea (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis).
A queda da Tesla contrasta com um aumento de 26% nas vendas de veículos elétricos a bateria em relação ao ano anterior, informou a Acea. Os dados abrangem a UE, Reino Unido, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
A participação da Tesla no mercado europeu caiu para 1,8% em fevereiro, ante 2,8% um ano antes.
A redução na participação de mercado da Tesla segue a incursão sem precedentes de Musk na política europeia, onde ele apoiou o partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) antes das eleições de fevereiro no país.
Analistas também atribuem a queda nas vendas ao portfólio envelhecido da Tesla, com consumidores aguardando o modelo Y atualizado, previsto para ser lançado este ano.
A empresa também enfrenta crescente concorrência da BYD e outras rivais chinesas, que juntas superaram a Tesla em vendas de EVs na Europa em fevereiro, segundo a Jato Dynamics.
“Além do papel cada vez mais ativo de Elon Musk na política e da maior concorrência que enfrenta no mercado de EVs, a marca está descontinuando a versão atual do Model Y — seu veículo mais vendido”, disse Felipe Munoz, analista global da Jato Dynamics.
Após uma queda acentuada em janeiro, os registros de novos veículos Tesla em fevereiro despencaram 76% em relação ao ano anterior na Alemanha, 48% na Noruega e 26% na França.
Os registros gerais de novos carros caíram 3% no acumulado do ano até agora, em comparação com o mesmo período de 2024, com grandes quedas na Alemanha, França e Itália.
Fora da Europa, a Tesla informou recentemente que suas vendas no varejo na China, excluindo exportações, caíram 87% em relação ao ano anterior em fevereiro, atingindo o menor volume mensal desde agosto de 2022.
Veículos e concessionárias da Tesla tornaram-se alvos de protestos nos EUA e na Europa em resposta à influência desproporcional de Musk na Casa Branca, seu ataque ao governo federal dos EUA como chefe de fato do chamado Departamento de Eficiência Governamental e seu apoio ao AfD na Alemanha.
Musk fez um apelo direto aos funcionários da Tesla para manterem as ações da montadora, que caíram mais de 40% em valor desde meados de dezembro. As ações estavam em queda de 1,7% no pré-mercado de terça-feira (25), após subirem 12% na segunda-feira (24).